Enfim, no meu chão.

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Enfim, no meu chão.

Enfim,na área educacional.
Um dia antes da proposta chegar eu abri o livro de pensamentos do Chico Xavier e dizia assim:”Quando o discípulo está preparado, o Pai envia o instrutor. O mesmo se dá relativamente ao trabalho. Quando o servidor está pronto, o serviço aparece.”
LEGENDA DA FOTO;
Ouvir a comunidade é o primeiro passo para que o conhecimento gerado nas pesquisas dos programas de Pós-Graduação repercutam na realidade local e em melhorias para todos” .Assim foi pautada a Reunião realizada entre a Secretaria de Educação de Itaqui, Rosangela De Bortoli e a Coordenadora da Expansão Pós Presenciais Uninter no RGS, Jalusa Biasi Galant dia 23.06.2014.Na oportunidade foi comunicada a instalação do Pólo Presencial de Pós-Graduações na cidade, bem como colocado a disposição o apoio do corpo docente da Uninter para realização de palestras de interesse para a comunidade.

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Gestão do conhecimento em ambientes corporativos jurídicos

Padrão

Jalusa Lima Biasi Galant

Supervisora da Rede Scalzilli Brasil Corporate

Essa resenha expõe brevemente o uso dos conceitos da área da educação em um ambiente corporativo jurídico, onde a transmissão de uma cultura é entendida como educação. A inciativa partiu dos resultados de um projeto coletivo e pioneiro que quebra com o paradigma de que educação é algo que pode ser “transmitido” para algo que pode ser “significado” através da integração para o resultado proposto dentro de um contexto.

Ainda não é comum empresas jurídicas identificarem a necessidade de um cargo de supervisão. Quando fui contratada pelo escritório Scalzilli FMV para ser supervisora da Rede Scalzilli Brasil Corporate fui ler sobre o cargo, pois na descrição dispunha que umas das minhas funções seria o desenvolvimento da “cultura da excelência” ao atendimento do cliente, junto á equipe”. Eu estava chegando em uma equipe que já tinha uma referência de liderança, na pessoa da nossa Coordenadora. Dessa forma eu precisava encontrar uma forma de integração naquele espaço.

Nesse mesmo momento eu vivenciava no meu Mestrado em Gestão Educacional uma disciplina que usava uma técnica de mediação orientada para o aprendizado e enxerguei nela uma ferramenta interessante para trabalhar na equipe.

Como o meu cargo era novo, fui buscar mais informações sobre ele e encontrei um artigo que falava do livro O Supervisor – a dimensão supervisional na empresa – recém-lançado pela All Print Editora, o consultor Antonio Gordilho:

“Um gerente tem como principal função planejar e desenvolver estratégias e processos. Já o supervisor conduz no dia a dia os processos traçados pelo gerente e ainda é responsável pela motivação e treinamento da equipe como forma de garantir os resultados”, destaca Gordilho.

Tendo em vista que estudos em educação demonstram que “significar” gera maior aprendizagem do que “decorar”, busquei construir uma forma de mediar o conhecimento prévio daquelas pessoas dentro e um contexto para assim buscarmos coletivamente o resultado pretendido, qual seja o atendimento da expectativa (e ás vezes superação dessas expectativas) junto aos clientes.

O primeiro passo para que houvesse uma integração naquele grupo foi eu e minha Coordenadora termos o entendimento que teríamos um desafio de trabalhar uma forma de liderança compartilhada usando um método de gestão democrática. Por isso foi determinante a sua adesão quando expus o meu projeto. Parti da imagem que ela tinha como cliente e que como meu cargo trabalharia com a equipe conceitos de “excelência no atendimento”, seria necessário um momento em que pudéssemos analisar quando éramos criticados pelos nossos clientes. Enfrentar nossos “erros” e “acertos” como processos de desenvolvimento coletivo. Vale trazer aqui o conceito de visão crítica de CELSO VASCONCELOS o qual diz que ela não significa “falar mal de tudo”; ser crítico significa buscar as verdadeiras causas das coisas, superando a aparência, buscando a essência dos processos, sejam naturais ou sociais. (VASCONCELOS,1999,Construção do conhecimento e sala de aula, pg.74)

Segundo momento seria a mobilização da equipe para a escrita. Como o projeto envolve o diálogo de saberes, cuja ferramenta de registro é um caderno, sem essa escrita da equipe das situações que dizem respeito ao tema “atendimento ao cliente”, o projeto perderia o seu “sentido” de construção e gestão do conhecimento. Através da participação da equipe desde a elaboração do calendário de ações, das reuniões de ajustes do projeto, todos sentiram-se “donos” dele e a escrita fluiu.

Na execução desse projeto todos são mediadores desse saber fazer para melhor atender, mas com um “sentido”, ou seja com a reflexão coletiva do porque fazer. O mediador é eleito pela equipe, havendo uma alternância bimestral. A escrita estimula a autonomia e abre espaço para um maior protagonismo daqueles indivíduos que compõem o todo sistematicamente. Durante as reuniões o mediador lê os registros e todos participam buscando uma solução para aquele caso. O mediador não é um ”resolvedor”, ele ajuda que todos tragam experiências sobre aquele atendimento, informações sobre aquele cliente, sempre com o foco do que poderíamos ter feito melhor. Todos da equipe são “autores” daquela relação empresa e cliente.

Dessa forma, pelos resultados obtidos desde o início da execução do projeto pude verificar que, mesmo não tendo como negar os preceitos do capitalismo, da necessidade das empresas em estipular metas e resultados, isso não significa que não podemos mobilizar democraticamente uma equipe, estabelecendo um modo de integração que leve em conta a ideia de construção do conhecimento em grupo, com ética e cidadania.

Antônio Godilho, O Supervisor – a dimensão supervisional na empresa, Antonio Gordilho

Celso dos S. Vasconcellos- Construção do Conhecimento em sala de aula-são Paulo; Liberdad, 1999.- (cadernos Pedagógicos do Libertad;2)

 

Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários á prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.