COMO NOSSOS PAIS

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RESENHA DO ARTIGO “AVALIAÇÃO EDUCATIVA: PRODUÇÃO DE SENTIDOS COM VALOR DE FORMAÇÃO”

Lendo esse artigo me veio á cabeça um refrão de uma música consagrada na interpretação da Elis Regina (que hoje faria 70 anos), a letra diz assim:

Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

(…) mas é você que ama o passado e que não vê, que o novo sempre vem.

Quem seriam os “ídolos” em sala de aula?

Pela minha experiência como Aluna, para os Professores (e sociedade em geral), os ídolos são os alunos melhores em notas (ou com melhores conceitos de avaliação).

Eles, em regra, quase sempre não são questionados se entenderam o que reproduziram com louvor na prova (principalmente quando a avaliação é restrita a questões “decorebas”).O perigo é Professor ficar satisfeito porque tem “os melhores em notas” e crer que com isso a sua metodologia e forma de avaliar deram certo.

E quem não vai bem? Como fica?

Quem não tem em sua “memória afetiva-pedagógica” o desapontamento dos pais diante de uma nota “baixa”?Precisamos falar mais sobre eles.

Penso que a escola tem os seguintes desafios:

Poder dialogar com os pais que permanecem acreditando na cultura de “rankeamento” propagandeada na mídia.

Segundo, buscar reverter a lógica ainda vigente sobre avaliações: meu filho tem que ser o melhor em nota. Se a escola não está bem colocada na avaliação governamental a culpa é da Escola. Agora, se a Escola está bem avaliada, a culpa da nota baixa do meu filho só pode ser do Professor.Será que é tão simples assim?

Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantada com uma nova invenção. Mas escutam-se vozes de mudança. São os Professores que quebram essa lógica com a ferramenta da metacognição. Pensando em formar cidadãos ele faz o aluno pensar. Sem decorar ele questiona os pais em casa, envolvendo-os nesse ciclo de “pesquisação”.

Como o Professor faz isso? Não é mágica, é a ciência da interminável conjugação de ensino com contexto, ensino com olhar na pesquisa, no estímulo da dúvida, na aula que não acaba quando termina. E principalmente ele tenta!

Esse Professor que não é profeta, é docente, ensina e é ensinado.

Sei que nada vai ocorrer sem tensionamentos.

Entendo também a preocupação dos pais que querem que os filhos “deem certo” na vida e que o desempenho escolar é o mais provável meio de conquista de um lugar ao sol .

Por isso, não se pode negar que o ensino também tem que ter “utilidade” para o ingresso no mercado de trabalho. A reflexão é, desde que além disso nesse ensino também esteja contida a intenção da formação. E formação não é feita apenas com uma métrica, dura, objetiva. Formar com valores prescinde ensinar com os valores e com todos os sujeitos dentro e fora da sala de aula. Aprendemos juntos e mediados com o mundo.Assim, não decorarmos e sim”apreendermos” com a nossa história, afinal como diz Boaventura Santos, todo conhecimento é auto-conhecimento.

Por isso, quando eu vou á uma formatura e na hora da homenagem aos pais, escuto a música “Como nossos Pais”, me pergunto? O que será que eles entendem quando a letra da música diz:

Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida, na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais, minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

Talvez, se tivessem tido a possibilidade de conviver em sala de aula, em casa ou no pátio da escola com pais e Professores que os estimulassem á construção de um conhecimento coletivo, inserido com uma família que não delega o processo de aprendizagem só para a Escola, com emancipação,visão histórica e multifatorial saberiam que a letra é um hino de desacomodação e não de “normalização”.

Leia o artigo do autor José Dias Sobrinho e que inspirou a resenha em: http://www.scielo.br/pdf/aval/v13n1/a11v13n1

Um abraço.

Jalusa Biasi Galant

Advogada e Mestre em Gestão Educacional.

Bibliografias de apoio:

GHIRARDI, José Garcez. Ensino participativo o protagonismo do aluno. Blogspot, 17 de fev.2014. Disponível em: < http://professorgarcez.blogspot.com.br/2014/02/ensino-participativo-o-protagonismo-do.html >. Acesso em: 20 mar. 2014.

FREIRE, Paulo.  Pedagogia da autonomia. São Paulo :Paz e Terra, 1996.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

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