O dia que eu cantei com a Elis

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andreia-elis

Fonte da foto: http://vejasp.abril.com.br/blogs/beleza-de-blog/2015/09/08/andreia-horta-elis-regina-corte-pixie/

Acabo de sair do filme Elis-O Filme.

Eu cantei com a Elis do filme.

Para quem me conhece eu canto depois de uma cervejinhas, aí resolvo entoar  “Como nossos pais” ou ” O Bêbado e o Equilibrista”, apesar de que na minha fase tenho feito mais sucesso quando baixa a Alcione em mim hehe

Mas, realmente eu tive a honra em uma noite dessas, na Pulperia, em cantar com a Elis (do filme). Era uma festa de encerramento de uma série que a Andreia Horta interpretava a filha do Tiradentes. Na “finalera”, tendo como violonista o Gabriel (de apelido Selvagem, o qual toca muito), estávamos nós cantando Elis Regina juntas.Ela cantava de um jeito, emocionada,  de olhos fechados.Eu não sabia que eu estava cantando com a Elis que acabei de ver. Não sabia que ela interpretara a própria e que o filme sairia esse ano. A Andreia (ou mana como a gente se chamava na hora da cantoria), me emocionou pelo tamanho dela na tela.Ela está perfeita, com momentos em que eu vi a Elis (aquela).

É realmente um filme imperdível.

Elis, Diva, lenda, estrela de luz, que partiu precocemente mas que nos deixou um rastro de arte em cada registro único daquela voz que até hoje para mim, inigualável.

Talvez eu nunca mais vou encontrá-la para dizer pessoalmente: Mana, tu arrasou! Mas, a Andreia Horta, para mim, com esse filme, “deu o nome”.

Bem amigos, assistam  Elis-O Filme .

 

 

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OUÇAM AS MÚSICAS DA ANITTA COM SUAS FILHAS (e FILHOS)

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Antes da primeira pedrada, o tema aqui não é a qualidade da música da Anitta.

Eu vou falar sobre o movimento GIRL POWER, ou empoderamento feminino.

E antes da segunda pedrada, cabe esclarecer que Feminismo é a luta pela igualdade e não pela superioridade. Diferentemente do Femismo que é “igual que nem” o Machismo, só que aquele diz que a mulher é superior ao homem e esse diz que o homem é melhor que a mulher.

Bem, na minha adolescência eu debutei (Baile de 15 anos) e eu tive que esperar me tirarem para dançar. Sim porque né eu tenho quase 40 anos e isso era padrão na época.

Também naquela época, os meninos eram quem escolhiam as meninas para namorar e as para tirar sarro ou “chupar a laranja e jogar fora”. E nessa divisão de grupos entre bonitas, feias e as que “dá para comer escondido”, era no segundo grupo que os meninos  mais maltratavam fazendo de conta que gostavam da menina para dar uns amassos. Sem falar nas apostas, sim, apostavam se o cara pegava a feia, a gorda para tirar sarro da cara dela.

Aí vem uma guria que nem a Anitta e diz na música “Deixa ele chorar”:

 

deixa ele chorar

E em Meiga e abusada ela entrega a estratégia que antes era somente dos homens:

meiga e abusada 2

E vou parar em Bang para não ficar muito extenso o post:

bang

E antes que a terceira pedra esteja erguida:

Eu não acho que seja essa seja a melhor metodologia para ensinar que podemos ter tesão, que podemos tirar sarro e não dar, que o corpo é nosso BLÀ BLÁ BLÁ.

Eu apenas estou refletindo e convidando vocês a trocar o sexo da pessoa que canta. Quem ainda tem mais naturalidade em afirmar que pode fazer isso que está na letra? Homem ou Mulher? Certas ou erradas as condutas trazidas nas letras, os dois PODEM fazer, podem ter o PODER de fazer. Depois aguentem as consequências de ser o que é. A gente amadurece e sabe que nenhum joguinho é bom se ao invés do gol de placa (amar) ficamos só lesionados e com dor.

Okkkk eu também acho que ensinar amar ao próximo é melhor que ouvir a Anitta.

Mas como disse no início, a IGUALDADE  é a questão. E isso a Anitta está comunicando através da música dela, gostem ou não.

Jalusa Lima Biasi Galant

Ps: Valeu Spice Girls (as Anittas do meu tempo)

COMO NOSSOS PAIS

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RESENHA DO ARTIGO “AVALIAÇÃO EDUCATIVA: PRODUÇÃO DE SENTIDOS COM VALOR DE FORMAÇÃO”

Lendo esse artigo me veio á cabeça um refrão de uma música consagrada na interpretação da Elis Regina (que hoje faria 70 anos), a letra diz assim:

Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

(…) mas é você que ama o passado e que não vê, que o novo sempre vem.

Quem seriam os “ídolos” em sala de aula?

Pela minha experiência como Aluna, para os Professores (e sociedade em geral), os ídolos são os alunos melhores em notas (ou com melhores conceitos de avaliação).

Eles, em regra, quase sempre não são questionados se entenderam o que reproduziram com louvor na prova (principalmente quando a avaliação é restrita a questões “decorebas”).O perigo é Professor ficar satisfeito porque tem “os melhores em notas” e crer que com isso a sua metodologia e forma de avaliar deram certo.

E quem não vai bem? Como fica?

Quem não tem em sua “memória afetiva-pedagógica” o desapontamento dos pais diante de uma nota “baixa”?Precisamos falar mais sobre eles.

Penso que a escola tem os seguintes desafios:

Poder dialogar com os pais que permanecem acreditando na cultura de “rankeamento” propagandeada na mídia.

Segundo, buscar reverter a lógica ainda vigente sobre avaliações: meu filho tem que ser o melhor em nota. Se a escola não está bem colocada na avaliação governamental a culpa é da Escola. Agora, se a Escola está bem avaliada, a culpa da nota baixa do meu filho só pode ser do Professor.Será que é tão simples assim?

Você me pergunta pela minha paixão, digo que estou encantada com uma nova invenção. Mas escutam-se vozes de mudança. São os Professores que quebram essa lógica com a ferramenta da metacognição. Pensando em formar cidadãos ele faz o aluno pensar. Sem decorar ele questiona os pais em casa, envolvendo-os nesse ciclo de “pesquisação”.

Como o Professor faz isso? Não é mágica, é a ciência da interminável conjugação de ensino com contexto, ensino com olhar na pesquisa, no estímulo da dúvida, na aula que não acaba quando termina. E principalmente ele tenta!

Esse Professor que não é profeta, é docente, ensina e é ensinado.

Sei que nada vai ocorrer sem tensionamentos.

Entendo também a preocupação dos pais que querem que os filhos “deem certo” na vida e que o desempenho escolar é o mais provável meio de conquista de um lugar ao sol .

Por isso, não se pode negar que o ensino também tem que ter “utilidade” para o ingresso no mercado de trabalho. A reflexão é, desde que além disso nesse ensino também esteja contida a intenção da formação. E formação não é feita apenas com uma métrica, dura, objetiva. Formar com valores prescinde ensinar com os valores e com todos os sujeitos dentro e fora da sala de aula. Aprendemos juntos e mediados com o mundo.Assim, não decorarmos e sim”apreendermos” com a nossa história, afinal como diz Boaventura Santos, todo conhecimento é auto-conhecimento.

Por isso, quando eu vou á uma formatura e na hora da homenagem aos pais, escuto a música “Como nossos Pais”, me pergunto? O que será que eles entendem quando a letra da música diz:

Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida, na parede da memória, essa lembrança é o quadro que dói mais, minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.

Talvez, se tivessem tido a possibilidade de conviver em sala de aula, em casa ou no pátio da escola com pais e Professores que os estimulassem á construção de um conhecimento coletivo, inserido com uma família que não delega o processo de aprendizagem só para a Escola, com emancipação,visão histórica e multifatorial saberiam que a letra é um hino de desacomodação e não de “normalização”.

Leia o artigo do autor José Dias Sobrinho e que inspirou a resenha em: http://www.scielo.br/pdf/aval/v13n1/a11v13n1

Um abraço.

Jalusa Biasi Galant

Advogada e Mestre em Gestão Educacional.

Bibliografias de apoio:

GHIRARDI, José Garcez. Ensino participativo o protagonismo do aluno. Blogspot, 17 de fev.2014. Disponível em: < http://professorgarcez.blogspot.com.br/2014/02/ensino-participativo-o-protagonismo-do.html >. Acesso em: 20 mar. 2014.

FREIRE, Paulo.  Pedagogia da autonomia. São Paulo :Paz e Terra, 1996.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2008.